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Como as redes sociais da cultura do tênis transformaram calçados esportivos em moda de alto risco

Os sneakerheads não colecionam apenas sapatos. Eles organizam shows construídos em torno de borracha, couro e hype. Em redes sociais dedicadas, colecionadores com prateleiras com duzentos pares ou mais comparam ativos, postam fotos de tênis personalizados e acompanham os últimos lançamentos das principais marcas. É um ecossistema digital onde o status é medido pela condição exclusiva e pela raridade do lançamento.

A conexão entre tênis e hip-hop não é nova. A Run-DMC fez referência à Adidas em seu hit de 1986, “My Adidas”, consolidando a ligação entre roupas esportivas e cultura musical. Mas a verdadeira explosão veio antes. Em 1985, a Nike lançou os primeiros Air Jordans. Esta parceria ligou o atleta mais famoso do mundo ao que se tornaria o calçado mais cobiçado do planeta. Um par original que custava US$ 65 foi vendido recentemente no eBay por mais de US$ 2.000. Isso não é apenas uma revenda. É uma apreciação do artefato cultural.

Da utilidade à declaração política

Na década de 1980, seguidores cult se formaram em torno da Adidas e da Nike. Os calçados esportivos passaram de equipamentos práticos de ginástica para moda. Eles também se tornaram políticos.

Considere o Adidas branco sem renda da Run-DMC. O visual ficou legal. Foi também uma homenagem à cultura prisional, onde os cadarços são frequentemente confiscados. O estilo tornou-se um protesto silencioso.

Hoje, essa mesma intensidade impulsiona as redes sociais da cultura do tênis. Essas plataformas permitem que os entusiastas criem perfis detalhados. No Sneakerplay, o maior site ativo nesse nicho, os usuários criam páginas no estilo MySpace. Eles incorporam arquivos MP3. Eles escrevem blogs. E eles mostram suas coleções.

A cultura dos tênis é alimentada por uma obsessão por lançamentos de edições limitadas e sapatos retrô raros.

A Economia do Hype

O modelo de negócios da cultura do tênis depende da escassez artificial. A Nike mantém vivo o frenesi ao lançar edições extremamente limitadas. Essas quedas costumam ser restritas a uma única loja em um único dia.

Veja o Cowboy Air Max 180s. A Nike fabricou apenas 140 pares. Eles os venderam em uma loja em Miami. As pessoas acamparam durante dias para pegá-los. Alguns adicionaram essas raridades aos seus arquivos pessoais. Outros os venderam online com enormes lucros.

Essa dinâmica cria um mercado de alto risco. Não se trata apenas de usar os sapatos. É sobre possuir o que os outros não podem. As redes sociais servem de palco para esta performance. Eles validam o investimento. Eles transformam um par de tênis em um ativo de portfólio.

A próxima evolução desta tendência vai além dos tênis para comunidades de moda mais amplas. Mas, por enquanto, o foco continua nos pés.

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