A melhor maneira de resolver um problema é torná-lo enorme. É o que diz uma antiga citação atribuída a Eisenhower. Ou pelo menos foi o que nos disseram. Essa lógica adapta-se ao actual estado de espírito da administração Trump em relação ao Irão como uma luva esticada demais.
O padrão se repete todo fim de semana.
Sábado: relatórios dizem que um acordo sobre o Estreito de Ormuz está próximo. Domingo: Trump diz à sua equipe para “não se apressar”. Segunda-feira: Ataques aéreos dos EUA atingiram o sul do Irã. É o caos embalado como estratégia. A Casa Branca diz que está a ganhar tempo para negociações, ao mesmo tempo que mantém a guerra em grande escala como opção de apoio. Depois vem a reviravolta. Na Verdade Social. Trump decide que a paz depende do Egito. Jordânia. Paquistão. Catar. Arábia Saudita. Peru. Todos eles assinando os Acordos de Abraham.
Essa não é uma colina para morrer. É uma montanha para escalar descalço.
Claro, estes países cooperam com Israel em privado. Todos nós sabemos que sim. Mas a normalização pública depois de Gaza? Politicamente impossível. No entanto, aqui está ele. Adicionando novas demandas que irritam aliados que nunca estiveram presentes. Isso sugere que ele não está desesperado por uma saída rápida.
O cessar-fogo começou em abril. Os fatos não mudaram desde então. No entanto, Trump está a alargar as suas exigências em vez de as estreitar. Isso inverte a narrativa usual de negociação. Isso aponta para duas verdades desconfortáveis.
Primeiro. Ele não acredita que está perdendo.
Segundo. Ele ainda quer reescrever o Médio Oriente do zero.
Ele se sente bem
Lembra de Tucker Carlson? Trump disse-lhe que a guerra seria boa porque “sempre é”. Ele disse que atacar o Irão não destruiria a sua presidência.
Ele estava errado sobre a facilidade da campanha. Talvez.
Mas ele não estava errado em permanecer no topo. A economia não implodiu. O petróleo ficou em torno de US$ 100 por barra. Os especialistas previram US$ 200. Eles estavam gritando sobre a escassez que nunca chegou totalmente. Por que? Os exportadores de fora do Golfo intensificaram-se. A China sentou-se nas suas reservas e parou de comprar. Ironia: Pequim pode ter realmente ajudado a estabilizar os preços nos EUA.
A crise ainda pode acontecer. Escassez de combustível de aviação no verão. Atrasos na fertilização.
Mas agora. Nenhuma crise completa. Apenas aborrecimento com a bomba de gasolina. E o aborrecimento não mata presidências.
A guerra é popular? Não. Os preços subiram. As vidas são mais difíceis. Mas as sondagens mostram que 73% dos republicanos apoiam a gestão de Trump. A revolta “América Primeiro”? Um mito. Desde que nenhum soldado americano morra – e nenhum morreu desde Abril – e o mercado de acções prenda a respiração. Trump acha que está vencendo a guerra de desgaste. A liderança do Irão provavelmente concorda. Eles são menos sensíveis à opinião pública. Menos sensível à dor. Um impasse feito no inferno.
O Jogo Nuclear
Tecnicamente. Ele abaixou a barra. Ele parou de ficar obcecado com os representantes do Hezbollah e os limites dos mísseis balísticos. Agora. Um gol. Pare a bomba do Irã.
Bastante simples. Certo?
Errado. A condição é que o acordo seja melhor que o de Obama. Muito melhor. O Irão concorda em princípio em diluir os arsenais. Mas Washington quer tudo. Tudo isso. Enviado para os EUA.
“Sem poeira. Sem acordo.”
Essa frase ficou complicada na semana passada. O Líder Supremo Mojtaba Khambenei emitiu uma diretriz. O urânio fica no Irã. Em solo iraniano. Período.
O “acordo” atual é apenas um processo de negociações de 60 dias. Um período de reflexão. Não é uma resolução. Isso deixa o conflito central intocado. A temperatura pode cair por dois meses. Então ele irá aumentar novamente.
Então, por que pressionar tanto? Porquê associar os vizinhos de Gaza à rendição de Teerão?
Porque Trump está entediado com o Irão. Mas ele não terminou com a região.
Lembre-se de setembro do ano passado. Ele chamou o seu plano de Gaza de “história da civilização”. Prometeu “paz eterna”. Ele entregou escombros. Não a paz. Mas ele acredita que só ele pode criar ordem no caos. Os conflitos individuais são um jogo pequeno. Ele quer o troféu do campeonato.
O custo desta guerra não o forçou a desistir. Mas isso o forçou a querer mais. Uma grande vitória. Para justificar a bagunça. Melhor que 2015 não é mais suficiente. Ele precisa redefinir o mapa.
Ele vai conseguir? Provavelmente não. As probabilidades estão contra uma revisão regional. A raiva é muito real. As alianças estão muito fraturadas.
Ele está apostando em um milagre. Ou talvez ele esteja apostando que estamos cansados demais para perceber a lacuna entre o que ele diz e o que o mapa permite. As negociações continuam. As greves fazem uma pausa. O mundo observa. E se pergunta por quanto tempo um homem consegue girar os pratos antes de cair.
